A emoção de carregar a Tocha Olímpica

Em busca da Tocha Olímpica

 

Alguns meses antes de cada realização dos Jogos Olímpicos, a chama é ateada em Olímpia, na Grécia, em frente às ruínas do templo de Hera, numa cerimônia que recria o mesmo método usado na antiguidade e que se destinava a garantir a pureza da chama: moças representando sacerdotisas de Héstia colocam uma tocha na concavidade de um espelho parabólico que concentra os raios da luz do Sol. Uma vez que a tocha é acesa, se transforma em um dos símbolos dos Jogos Olímpicos.

Isto porque o fogo evoca a lenda de Prometeu, que teria roubado a chama de Zeus para entregar aos mortais, concedendo-lhes poderes sobrenaturais

Em seguida, a chama  é levada de Olímpia e será transportada por diversos eleitos pelo mundo até seu destino final,  uma pira gigante dentro do estádio reservado a celebração de abertura dos Jogos Olímpicos, abrindo oficialmente o início das competições.

Os jogos são uma das maiores celebrações de paz e união entre os povos, conglomerando mais de 170 países de todas as partes do mundo dentro de um espirito de superação do ser humano, levando-o aos seus limites.

Eu desejava muito fazer parte disso, mas não sabia como. Até que fui indicado dentro de um programa que recrutava pessoas para ter a honra e o privilégio de carregar a tocha em território nacional. Para tanto, o indicado precisaria demonstrar alguma atividade que conquistasse o coração dos juízes responsáveis por esta seleção.

No meu caso, tudo aconteceu devido a minha Aventura em levar a bandeira brasileira ao topo do mundo, a mais de 60mil pés na estratosfera. Assim, logo fui contemplado e recebi com felicidade a notícia de minha candidatura. Recebi um email da organização responsável pelo revezamento e minha candidatura estava prestigiada no site oficial de recrutamento com meu nome.

Assim, comecei meu treinamento usando a escada, ao invés do elevador no meu trabalho. Todos os dias subia 6 andares carregando um peso em minhas mãos e ninguém veria aquela atitude esquisita. Seria deste modo até que chegasse o meu momento com o revezamento da Tocha.

E o que parecia fácil, não foi exatamente como deveria.

Alguns dias depois, em uma fatídica noite de chuva, parei o carro em um estacionamento para realizar um lanche rápido em uma conhecida rede de lanchonetes. Eu estava com pressa para prosseguir viagem para um casamento de um grande amigo em outra cidade. Para minha surpresa, 15 minutos depois que saí da lanchonete encontrei minha janela do carro estourada e constatei que meus pertences internos haviam sido levados. Um dano sem tamanho! Entre minhas malas e os de minha noiva, o mais importante para mim, foi meu notebook. Quem sabe o que significa perder um notebook nos dias atuais entende bem o que estou relatando: eram fotos irrecuperáveis de minha história de vida, senhas de acesso em diversas redes que participo, documentos importantes do trabalho, emails, contatos, planilhas e mais planilhas…uma dor de cabeça terrível e sem paralelos para minha vida pessoal e profissional. Nada que justifique o preço que se encontra o aparelho novo a venda na loja.

Uma vez que se perde um equipamento como este, até que se possa organizar novamente sua vida e reconstruir todo o dano pode-se levar meses, e mesmo assim muitas coisas serão perdidas para sempre. Eu precisava colocar toda minha vida em ordem, mas também perdi meus e-mails e senhas.

Foi por um acaso, que um grande amigo meu, Ricardo Cavallini que também havia sido comtemplado para carregar a tocha Olímpica me chamou a atenção sobre o envio dos documentos solicitados pela equipe de recrutamento. Eu nada sabia até então, reorganizando minha vida com aquela recente perda. Eu devia ter recebido um e-mail do Comitê Olímpico informando sobre minha confirmação e os prazos para meu alistamento, mas perdi junto com tudo mais.

O Cavallini me passou todos os contatos e formulários, uma ajuda sem igual. Descobri que eu tinha apenas aquele dia para reunir todas as solicitações e postar tudo pelo correio. O Comitê exigia o cumprimento desta regra, exaltando que uma vez não seguido o procedimento, o candidato seria automaticamente desclassificado. Eu tinha algumas horas de prazo. Levei um susto! Uma chance em mil de carregar a Tocha Olímpica e podia perdê-la devido a bagunça que vivia tentando colocar minha vida em ordem. Eu tinha que correr!

Eu precisava preencher tudo, assinar papéis, tirar cópias de documentos, imprimir tudo, selar e despachar. O mais dificil eram os exames médicos, porque no Brasil agendar um médico pode-se levar dias e eu tinha somente algumas horas. Já havia perdido toda minha manhã somente com as providências fáceis. Era uma corrida contra o tempo.

Fui primeiro tentar a sorte em um hospital público, relatando meu caso aos enfermeiros de plantão. Eu precisava apenas de um atestado que afirmasse que eu tinha plenas condições físicas para realizar meu trajeto. Eu dizia que minha saúde estava impecável e eu raramente fico doente, mas naquela altura o que eu achava não significava nada. Eu precisava do papel que provava isso, chancelado por um medico devidamente regularizado, com CPF e CRM, carimbo do hospital, folha timbrada com endereço e CNPJ.

Chegando ao hospital público, a verdade falava por sí só. Havia uma fila imensa de espera, e meu caso não era mais urgente do que todos aqueles pobres coitados com suas dores torturantes. Esperei por um bom tempo e vi as horas passando, sem qualquer avanço na fila.Me dei conta que aquelas pessoas precisavam muito mais dos poucos medicos disponíveis que eu, embora não podia simplesmente deixar meu assunto pra depois.

Eu tive que sair dali correndo para um hospital particular, onde as chances de ser atendido sem hora marcada eram ínfimas. Comecei a caçar algum pela região usando o horrível sinal de internet no celular. Ao chegar, estacionei o carro, corri até a recepção e esperei na fila. Quando fui atendido, o médico não trabalhava naquele lugar naquele dia. Caí na pegadinha do site com informação desatualizada.

Corri novamente para o carro, uma maratona em busca de outra clinica. Eu precisava ligar e confirmar, enquanto dirigia meu carro com enorme pressa pelo trânsito caótico de São Paulo.

Chegando ao novo consultório, uma via sacra de desespero começava a pressionar minha mente. Tudo demorava: estacionar, pegar tiquete, ir até o elevador, esperá-lo…até o atendimento do recepcionista começava a me deixar louco! O correio fechava as 16horas, eram 14h30 e eu estava no terceiro hospital dependendo de um simples atestado, todos os demais documentos já estavam comigo em um envelope pronto pra selar.

O recepcionista foi claro que não havia nada a ser feito para me ajudar, então pensei em abordar uma enfermeira. Quem escolhe essa profissão é porque realmente sabe o significado de ajudar o próximo.

Cheguei até a enfermeira Magda explicando a situação, que eu tinha muita pressa, que carregar a tocha era um momento único em minha vida e estava prestes a perder isso devido ao prazo. Ela me disse: “bem, tem um médico que vai chegar daqui a pouco, ele vai entrar a qualquer momento por aquela porta…se puder explicar sua situação diretamente a ele e ele topar, então é contigo. Boa sorte!” E sorte era tudo o que eu precisava.

Fiz exatamente o que ela propoz, o médico apareceu e eu corri até ele e expliquei a situação respeitosa e educadamente. Ele me disse não poder atender a mim sem uma ficha, porque assim era o procedimento, de modo que eu voltei até a recepção e fiz a ficha.

O médico me chamou. Finalmente um sorriso se abriu em meu rosto e me coloquei a sua inteira disposição. Ele prosseguiu:

– Para aprovar-lhe para este revezamento, o senhor terá de realizar um teste de esteira.

-Tudo bem doutor, vamos lá! – respondi de pronto.

Ele continuou:

-São vinte minutos de corrida.

Engoli em seco e disse:

-Então vamos! Estou com muita pressa doutor, onde está a esteira?

E então ele finalizou:

-De fato, não há nada que eu possa fazer. Nossa esteira não esta disponível hoje, volte amanhã.

Aí a coisa apertou…tudo ia bem, mas este balde de água gelada colocava tudo a perder. Meu argumento não foi o mais apropriado e pelo visto ele interpretou como algum descaso a sua conduta profissional, o que não era minha intenção, era desespero mesmo, o tempo correndo e o risco da frustração. Só que a situação descambou: eu simplesmente não tinha tempo para me deslocar até outro local. Saí da sala do médico cabisbaixo.

Ao caminhar lentamente pelos corredores amargos daquele hospital em direção a porta de saída, encontrei novamente a enfermeira, a mesma que havia me ajudado. Ela perguntou:

-Como foi?

-Bem, respondi, o médico me solicitou um teste de esteira e pelo visto não há nada a se fazer, a esteira não está disponível…

A enfermeira olhou pra mim e percebeu meu desapontamento. Como disse, existem profissionais e profissionais, e aquela moça realmente fazia jus a sua profissão.

-Acho que houve um equívoco, a esteira esta disponível sim. Acho que ele quis dizer que não há um fisiologista de plantão para a esteira, mas temos um estagiária que normalmente cuida deste exame. Vou verificar se ela esta disponível. Me aguarde”?

Arregalei os olhos como dois pires! Havia uma chance!

-Que anjo! Agradeci prontamente a enfermeira.

Prontamente, lá estava eu seguindo em direção a sala de cardio para o teste de esteira, enquanto a enfermeira procurava a responsável. Após seguir com todo o procedimento, corri por 20 minutos e o resultado foi feito na hora, uma exceção que acredito não conseguiria em qualquer lugar, se não fosse aquela enfermeira bondosa. Ela própria, alias, tratou de levar o exame ao médico em questão, não sei se ele gostou ou não, de qualquer forma aquela atitude abreviou sabe-se lá quanto tempo de fila de espera. Em poucos minutos, ela saiu da sala do médico com meu atestado.

-Viva!!!

Mas ainda não havia acabado. O correio mais próximo estava longe, havia trânsito e eu tinha 30 minutos somente. Peguei o carro, fiz a cancela do estacionamento engolir o tíquete de uma forma que a gravação nem me disse obrigado. O tempo passava e nada de progredir. O GPS mencionava 17 minutos, mas estava errado. Decidi estacionar o carro, mas só havia zona azul e pra variar, nem sinal do vendedor. Acabei deixando de procurar o rapaz com o cartão de estacionamento e sai correndo pelas ruas de São Paulo, sujeitando-me a multa. Eram 8 longos quarteirões.

Cheguei no correio e apertei o botão de senha. Tirei meu tíquete de espera e desabei no sofá de espera como um cachorro ofegante de língua de fora. Enquanto descansava, um cliente na minha frente reclamava com a atendente: “Como assim só aceitam dinheiro? Em que século o correio está?” No que eu notei que também não tinha um centavo em meu bolso, apenas cartões de banco. Perguntei a um senhor ao lado, onde havia uma agencia bancária pra retirar dinheiro. Ele pensou, pensou…até que eu desisti e perguntei a outra pessoa. Ela disse que ficava a uns 500 metros dali, na mesma rua. Então fiz as contas: 500 metros pra ir e 500 pra voltar. Tenho 1 kilômetro pra fazer em 7 minutos!

Tasca eu sair em disparada novamente pelas ruas, muitas vezes atropelando e esbarrando em todos que de alguma forma obstruíssem meu caminho. Eu já tinha corrido mais naquele dia do que correria carregando a tocha.

Cheguei na Agência bancária e haviam pessoas na fila. Pronto, me lasquei! Mais fila? Meu pé balançava no chão com um tique nervoso descontrolado. Na minha vez de usar o caixa, percebi que meu tempo já havia esgotado. Mesmo assim, tirei o dinheiro e parti em velocidade de volta a agência dos correios. Venci os últimos 500 metros como um maratonista em fim de prova pesadíssima, mas o correio estava lá. Os funcionários preparavam-se pra ir embora e um deles me disse que já não estavam atendendo. De fato, eu estava atrasado uns 10 minutos.

Então levantei meu tíquete de espera, com o pouco de força que me restava no braço. Apontei para o painel que mostrava meu numero e disse ofegante:

-“Eu sei! Sou o último”!

No que um olhou para o rosto do outro com olhar de “fazer o que?” e disse: “tudo bem, eu atendo”. E foi assim que consegui despachar minha carta, aos 55 minutos do Segundo tempo, certificando-me que o carimbo dos correios no envelope constava a data limite como prazo exigido pelo Comitê Olímpico, um verdadeiro alívio…

Ufa!

Se parou por aí? Negativo.

Dias depois, ao entrar em contato com o Comitê Organizador para confirmar se estava tudo certo, recebi a seguinte informação: “Sua carta chegou, esta tudo ok….”

-Que bom, né? – comentei.

-No entanto, seus dados não constam em nosso Sistema. Por um acaso seu nome aparece em nosso site?

-Claro, estou vendo aqui moça! Basta acessar meu nome e verá! Quer que eu envie o link? – confirmei com segurança na voz.

-Estranho, porque o senhor não aparece em nosso Sistema. Infelizmente o senhor não foi escolhido, pois todos os escolhidos estão no Sistema.

-Então esta claro que houve um erro, a senhora pode seguir em frente com a correção?

-Não, infelizmente a informação não vem de nós, vem dos juízes da Rio2016. Lamento, senhor.

Enquanto colocava minhas duas mãos sobre meu rosto massageando meus cabelos, respirei fundo e falei:

-Moça: desde que surgiu esta oportunidade em poder carregar a tocha olímpica, tenho visualizado em minha mente a felicidade que eu conquistei com toda minha garra. É difícil explicar tudo que passei, mas é um sonho que a gente busca, corre atrás e não desiste fácil. Eu me sinto pronto pra carregar a Tocha Olímpica hoje, sob qualquer circunstância, seja embaixo da água, seja no meio do deserto, seja enfrentando ventos e tempestades. Minha paixão pelo esporte, pela saúde, pelo meu país e pelo significado por trás deste grande evento, nada, simplesmente nada me fará desistir deste sonho. Por favor, verifique o que ocorreu…anote meu telefone e não esqueça de minhas palavras. Para carregar esta tocha, se precisar que eu me desloque de São Paulo para qualquer lugar, seja qual for este lugar, eu estarei lá!

A atendente finalizou como sugere o procedimento:

-Infelizmente senhor, não depende de mim.

Claro que eu me despedi e desliguei o telefone arrasado. A atendente pareceu ter sentido minha tristeza, mas foi clara quanta a sua representatividade na organização.

Ao menos, eu havia me empenhado como pude, cumpri com meu papel em todos os momentos respeitando as regras. Tem horas, depois da luta, que chega o  veredito. A ficha cai, embora o desejo continua. Entrei em contato por 3 vezes com a organização afim de ter certeza se minha participação havia sido realmente anulada, sem contudo conseguir um argumento objetivo sobre isso. Assim, transformei o meu desejo em fé e continuei a acreditar…

…Mas a fé move montanhas!

Quatro meses se passaram e o meu celular tocou:

-Marcos, aqui é a Renata do Comitê organizador.

-Sim, lembro!

-Pedimos perdão pela falha no sistema, ouve alguma confusão aqui. Então: você disse que topava se deslocar de São Paulo para qualquer lugar, seja ele qual for…conseguimos um lugar que esta precisando de você!

Naquele momento, pulei da cadeira com um salto enorme de felicidade. Com meus punhos cerrados e um soco no ar gritei bem alto: “Yes!!! Você esta falando sério, não é?”

-Prosseguindo, senhor Marcos, em Abril alguém vai te ligar para informar sobre os procedimentos e o senhor receberá um e-mail de confirmação. O senhor vai carregar a tocha no nordeste, tudo bem?

-Claro! Estarei lá!

E assim encerrei a ligação feliz da vida. Um mês depois foi confirmado por e-mail meu revezamento para o dia 3 de Junho, na gloriosa cidade beira mar de João Pessoa, capital da Paraíba. Eu nunca havia estado lá e agora tinha um bom pretexto para conhecer esta linda cidade. Como eu estou acostumado a extremos, desde ser o brasileiro a ir mais fundo no oceano até ir bem alto na Estratosfera, por um acaso do destino me reservaram a cidade mais extrema oriental das Américas.

Peguei o avião e segui rumo a minha honrosa missão. Adorei conhecer a capital João Pessoa e suas piscinas naturais, seu povo alegre e sua comida típica.

A tarde nos posicionamos nos pontos corretos da avenida principal para a espera tão ansciosamente aguardada e conhecer aquela preciosa chama.

A Tocha Olímpica realizou um percurso equivalente a quase uma volta no mundo até chegar a minha mão. Era um objeto de arte lindo, com cerca de 70cm de altura e 1,4kilos feito de alumínio reciclado. Sua textura é feita de um revestimento com micro triângulos que retratam os três valores olímpicos: excelência, respeito e amizade.

O design é uma obra a parte. Possui um mecanismo com molas que promovem sua elevação, ganhando 5cm extras. Nesta configuração aparecem recortes coloridos que simbolizam respectivamente: o inferior escuro como o solo, lembra as calçadas de Copacabana. Depois aparecem as duas ondas azuladas representando o mar. Os tons esverdeados, nossas florestas e no topo, a chama reproduz o sol do Rio de Janeiro.

Para tudo isso acontecer, basta girar um botão que aciona as molas, abrindo estes recortes e liberando o gás que acenderá o fogo.

Combinei com o companheiro de revezamento que transmitiria a chama a minha Tocha que faríamos um sinal de respeito, ajoelhando-se ambos ao chão. E assim aconteceu, um dos momentos mais felizes da minha vida, reverenciamos sua chegada, trocamos a chama e logo ela era minha, ou melhor, do mundo!

Segurei-a com as duas mãos, soltei meu grito de alegria e comemorei feliz por todas as coisas positivas que carregava junto com aquele símbolo tão famoso.

A multidão acotovelava-se feliz aplaudindo, vibrando, comemorando. Eu vivia aquele calor do coração das pessoas e sentia meus pés levitando no chão como se não houvesse gravidade, eu estava caminhando nas nuvens! Haviam batedores, carros de polícia, caminhões e ônibus da organização, repórteres, muita música e muita gente. Era um dos momentos mais sublimes de minha vida!  Aquela chama contamina à todos com seu calor, condutor e público se unem no mesmo fogo de Olímpia!

Assim a chama dos guerreiros ardia respeitosamente, flutuando pelos céus imponentemente através do meu punho.  Sob os aplausos da multidão comemorando cada passo meu, eram muitos os sorrisos, as fotos, as pessoas apontando para mim. Era o meu momento.

Em minha mente fiz a retrospectiva de todos os obstáculos do caminho até ali, provocando verdadeiras peças que só tornaram o sabor do momento muito mais gostoso. Veio no pensamento àqueles que tanto sofrem dentro de suas casas, vítimas dos erros absurdos deste Governo corrupto, pais de família desempregados e tantos outros que são contra um evento como este no atual cenário. Peço para estes que, por um breve momento, reflitam e enxergem naquele símbolo olímpico a chama da esperança para reerguer a cabeça e continuar lutando como tantos atletas campeões, ora, de nada adianta se lamentar com os problemas. Precisamos manter-se positivos e lembrar que de alguma forma somos todos atletas nessa vida, sempre superando os obstáculos que surgem para alcançar a vitória, sela ela qual for. Os turistas vão aparecer e trazer renovação em nossa alegria e muito dinheiro para gastar em nossa terra para depois, aproveitarmos e fazermos nossa parte.

A vida é assim cheia de boas surpresas. Realizei a condução da Tocha Olímpica com um cenário sem igual, ovacionado pelo som do mar, testemunhado pela briza refrescante da praia e saudado por seus coqueiros acenando felizes para mim, eu estava no cenário do paraíso! Ao carregar a tocha eu não estava disputando nenhuma competição nas Olimpíadas, mas pude sentir a mesma sensação de vitória dos competidores. A Tocha Olímpica era minha medalha afinal. Pude sentir o compromisso com a conquista e com a superação, levantando-a para o alto com o mesmo orgulho que todo brasileiro deve ter.

Imagine se tivesse desistido quando soube que tinha somente algumas horas pra correr atrás de todos documentos? Ou quando fui ao primeiro hospital e vi que não daria tempo? Como foi importante analisar a situação, reavaliar e seguir em frente? E a persistência sempre tão importante, insistindo com esforço e suor, correndo pelas ruas da populosa São Paulo? E mais que tudo, será que eu realmente conseguiria se não fossem os anjos do caminho como o meu amigo Ricardo Cavallini, a enfermeira Magda ou a lembrança da Renata do atendimento?Eu devo agradecimento eterno a eles!

Assim cumpri meu dever como parte no revezamento, contribuindo com a história revivida por séculos.

Como sempre digo: não desista! Acredite!  Mentalize aquilo que você deseja e deixe a força da atração conspirar com o Universo ao seu favor. Quem sabe a chama de todos os deuses abrilhante sua vida também!

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2 depoimentos
  • Magda Frizanco Menezes
    Responder

    Fiquei emocionada ao ler o relato, que surpresa. Nunca pensei que fazer o meu trabalho,que apenas um gesto de boa vontade pudesse impactar tanto na vida de outro.
    Fico feliz que tenha dado tudo certo,PARABÉNS foi sua garra e fé que te levou até a Tocha Olímpica.
    E desde sempre meu muito obrigada pela lembrança.

  • Ricardo José Cavallini
    Responder

    Caraca Palhares!
    Agora você conseguiu me emocionar.
    Eu estava tentando entender como você foi parar em João Pessoa para conduzir a Tocha.
    Este texto emocionante conta não só a sua proeza, mas mostra que a Fé e a perseverança, literalmente move montanhas.
    Desde o momento que recebi a noticia que era um dos Condutores da Tocha Olímpica meu coração transborda de orgulho. Agora ser lembrado pelo amigo e saber que fui um dos responsáveis pela emoção que o você está passando e que se perpetuará pela eternidade é mais um prêmio que Deus colocou em minhas mãos.
    Obrigado pela lembrança e obrigado por compartilhar conosco esta maravilhosa história de garra, perseverança e Fé.
    Parabéns!

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