Conhecendo a árvore plantada por Yuri Gagarin no Jardim dos Cosmonautas

Estive certa vez no Jardim dos Cosmonautas, em Baikonur. O jardim é conhecido desta forma porque fica dentro do Cosmonauta Hotel que é simplesmente o melhor hotel dentro da região de Baikonur. Lá ficam hospedados os cosmonautas pouco antes de embarcarem ao espaço e também os diretores da Roscosmos, não é um hotel disponível para pessoas comuns. Até por isso, a coletiva com a imprensa fica em um auditório neste hotel, com uma extensa mesa reservada aos diretores da operação espacial, em frente as cadeiras dos jornalistas e ao lado o famoso “aquário” onde os cosmonautas respondem por detrás de uma enorme janela de vidro as perguntas.  No lado de fora do Hotel existe uma parede com uma obra em homenagem a exploração espacial e em frente estão os mastros das bandeiras de cada nacionalidade envolvida na missão, ali acontece a última formalidade antes do voo.  Devido a praticidade do local, toda vez que um cosmonauta ou qualquer pessoa que utiliza um foguete russo para ir ao espaço, segue a tradição e planta sua árvore antes do embarque. Claro que Yuri Gagarin iniciou a tradição.

A árvore escolhida para compor o jardim foi o Olmo ou Elm. Comum em quase toda a Europa, norte de África e Ásia ocidental, é uma espécie que gosta de luz, preferindo os solos profundos, férteis, ocorrendo junto a linhas de água, fundos de vales e em bosques mistos. Floresce usualmente entre Fevereiro e Março e os seus frutos amadurecem entre Abril e Maio, podendo atingir facilmente os 20 m de altura e, não raramente, os 30 m. Apresenta uma casca cinzenta e fissurada, as suas folhas simples, ovadas, alternas, podem medir entre os 8,5 e 12 cm de comprimento por 6 cm de largura, são pontiagudas de margem dentada ou serrada. As inflorescências são compostas por flores rosa-purpúreas que produzem frutos (sâmaras) orbiculares a ovados com 20×17 mm e que apresentam a semente no seu terço superior. Dotada de uma madeira dura e resistente, mas fácil de trabalhar, os romanos usavam sua madeira para construir barcos e pontes, ou qualquer outro objeto que necessitassem resistir à pressão e ao movimento, trazendo enorme contribuição ao progresso da civilização. Acreditava-se que os ulmeiros tinham capacidades de adivinhação por entenderem que estimulavam os sonhos. Na Mitologia, esta árvore era ligada a imortalidade devido a reputação do olmo na construção de caixões e por isso a transição para o submundo. Mas o Olmo ajudava também com seu emprego no âmbito medicinal. A casca tem propriedades curativas e anti-sépticas, tratando todos os tipos de lesões superficiais.

Em 12 de Abril Yuri Gagarin plantou esta muda aqui. Logo ao lado temos Titov, Leonov, Tereshkova e muitos outros. Atualmente, são mais de 300 árvores plantadas neste local e todas elas possuem uma placa de identificação com o nome do cosmonauta que a plantou. Marcos Pontes também deixou sua muda e compõe o jardim. Perguntei se podia coletar uma amostra das sementes e folhas da árvore plantada por Gagarin, o que me foi acenado positivamente e hoje ela faz parte do meu acervo na Agência Marcos Pontes, junto com uma amostra do seu caule.

 

 

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