Porque viajar ao espaço com a Virgin Galactic

Importante salientar que este é um projeto privado do Grupo Virgin, liderado pelo bilionário Sir Richard Branson, que fundou a primeira empresa 100% voltada ao turismo de civis ao espaço, em 2004. Ela é também a primeira e única empresa neste segmento listada na bolsa sob o título comercializado SPCE e assim realiza captação via fundos privados. Em outras palavras, você também pode ser ”dono” neste negócio, acredite!

Bom, sobre a exótica figura Branson, ele não é nenhum novato em se tratando de iniciativas que beiram a imaginação. Ele estabeleceu uma série de recordes de aviação e aventura náuticas no decorrer de sua vida, aliás, bem vivida.

No campo dos balões, o magnata voou a bordo do Virgin Atlantic Flyer,  o primeiro balão de ar quente a cruzar o Oceano Atlântico, construído pela Linstrand Technologies. O voo transatlântico durou mais de 33 horas, viajando a 130 mph ao longo de uma distância de mais de 2.900 milhas, em 1987.  Por trás de todo sucesso, nota-se, existem também muitos fracassos. Essas façanhas levaram Branson à beira da tragédia em 1998, quando ele tentava superar um novo recorde. Richard e seu co-piloto tiveram que abandonar o balão no Oceano Pacífico depois que a baixa pressão derrubou a aeronave. Após inúmeras tentativas de se tornar a primeira pessoa a circunavegar o globo sem parar em um balão, Richard foi superado. A Breitling Orbiter, fabricados pela empresa Cameron Balloons conseguiu realizar o feito com seu terceiro balão em 1999, efetivando o primeiro voo à volta do mundo sem escalas (e os pilotos eram Bertrand Piccard e Brian Jones). Embora pareça uma derrota, certamente que muito se aprendeu com os erros cometidos naquela experiência e é bem possível que Branson tirou boa vantagem com isso.

Perder a corrida com os balões não foi suficiente para deixá-lo quieto: ”Que se dane, vamos fazer!” essa foi a frase norte para Branson, que se não conseguiu ser o primeiro a realizar a circunavegação em um balão, foi o pivô para um novo recorde, a circunavegação sem reabastecimento em uma aeronave. Ele continuou trabalhando nestes desafios, e em 11 de fevereiro de 2006, o seu amigo e piloto Fossett voou com o GlobalFlyer patrocinado por Richard em um esforço de marketing para sua companhia aérea, a Virgin Atlantic. A aeronave foi produzida pela empresa do renomado projetista Burt Rutan, dono da empresa Scaled Composities.

O resultado foi a maior distância de voo de aeronave da história: 25.766 milhas (41.466 km), a velocidade de 551 km/h em 2 dias, 19 horas, 1 minuto e 46 segundos estabelecendo o recorde mundial para a circunavegação mais rápida, sem escalas e sem reabastecimento de uma aeronave. A marca bateu o recorde do próprio Rutan, que estabeleceu o primeiro recorde com a aeronave Voyager em 9 dias e 3 minutos a uma velocidade máxima de 196 km/h. Percebe que de alguma forma, Branson busca fazer história e quebrar paradigmas em tudo que realiza, e não é diferente no projeto que me levará ao espaço. Fazer parte nesta história é fantástico.

Com o sucesso no GlobalFlyer do lendário Rutan, Richard voltou sua confiança a este parceiro. Rutan havia vencido em 2004 um concurso chamado Ansari X-Prize, um projeto que visava o desenvolvimento de uma espaçonave que deveria atingir 2 voos ao espaço em um período de 15 dias, a Spaceship One.  Foi sem dúvida um revolucionário projeto de baixo custo para esta atividade, contava com apenas 20 funcionários, uma espaçonave construída com papelão, cola, janelas de plástico e estrutura em fibra de carbono. Incrível…

Trabalhar com Burt Hutan fazia muito sentido para Branson, adepto de tecnologias ecológicas e inovadoras. Então, veio o contrato com Rutan e sua empresa Scaled Composities para o desenvolvimento da Spaceship Two, iniciando Branson em sua nova compania de turismo espacial.

Alguns me perguntam pejorativamente sobre meu acesso ao espaço ser divulgado pela imprensa como parte de um ”turismo espacial”, o que em termos, parece me classificar como um astronauta meia boca.  Bom, sou muito bem resolvido quanto a isso. Antes de tudo, na minha opinião é uma experiência que vale muito a pena!

Primeiro, porque embora eu tenha me dedicado em diversos treinamentos e simulações no exterior e em centros de excelência científica afim de tornar-me um astronauta de profissão, não houve outras alternativas acessíveis para que eu realizasse meu sonho em tornar-me um astronauta pela minha nação. De alguma forma, minha bagagem me confere uma possibilidade real para tornar-me um, se isso acontecesse neste momento.

Segundo, porque mesmo através de uma indústria alternativa, estarei entre os pioneiros a chegar ao espaço e isso tem enorme significado. Basta considerar que desde Gagarin em 67 anos de história espacial, pouco mais de 500 pessoas no mundo chegaram tão longe. Isso te coloca inevitavelmente entre os pioneiros.

Terceiro, porque eu tenho certeza que será os mais intensos e melhores minutos de minha vida. Existem pessoas que passam a vida inteira sem saber como preencher seu vão da felicidade e eu tive a sorte em descobrir meu propósito, e que este será um grandioso momento de realização pessoal.

Quarto, porque dediquei minha jornada nesta dimensão em um projeto que terá enorme importância para o futuro da humanidade e isso é um fato. Como nos ensina a história, navegadores como Pedro Alvares Cabral chegou ao Brasil porque algumas pessoas podiam empregar seus recursos no ambicioso projeto das Naus que atravessaram o Atlântico, mudando para sempre a história do mundo. O mundo avança melhor, quando pessoas empregam coragem e recursos para ir mais longe.

E quinto: Hoje eu participo ativamente neste projeto como diretor comercial no Brasil, motivo de enorme orgulho. A Virgin Galactic está desenhando um projeto que pensa na sustentabilidade da exploração espacial, com economia de combustível e inovação de materiais. Ele é o início de algo muito maior, que será levar passageiros continuamente a borda do espaço, diminuindo as distâncias entre nossas fronteiras e aproximando nosso mundo cada vez mais global em tempos mais curtos, graças ao vácuo espacial. Lembrando que sem a resistência do ar, a velocidade no espaço aumenta consideravelmente, o mundo torna-se cada vez mais perto…

Então eu sei o quão significativo e incrível será realizar esta viagem espacial. Eu devo levar uma lembrança de Santos Dumont, um experimento de uma escola de Santa Catarina e a minha empolgação. Será uma experiência sublime! Imagine poder voar em um Blackbird SR-71 no auge da Guerra Fria? Pois é, será mais rápido, mais alto, mais emocionante!

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